Património Histórico

concelhos
Ilsutrações de Filipa Santos


Período Romano

A influência da presença romana na região do Côa é especialmente notória na sua toponímia, cuda, que deu origem à própria nomenclatura dos povos que habitariam a região, durante o período romano. A margem direita é até ao dias de hoje conhecida como Ribacoa (Concelhos do Sabugal, Almeida e Figueira de Castelo Rodrigo). A margem esquerda (Concelhos de Pinhel, Trancoso e Mêda) seria habitada pelos povo Lancienses Transcudani, os transcudanos, do latim transcudani, trans-cuda , uma vez que do ponto de vista romano o trans-coa seria na margem Oeste sendo Roma o ponto de observação.

castrodrigoExistiriam duas vias romanas, cujos vestígios são ainda encontrados em algumas zonas, uma que seria percorrida no sentido sul-norte e outra oeste-leste. A primeira seria a mais importante, ligando Mérida a Astorga, cruzando o Côa na actual Freguesia de Cinco Vilas, onde ainda remanescem vestígios da sua ponte, e seguiria até Barca de Alva, onde a passagem pelo Douro seria feita por barco, e passava ainda por Freixo de Espada à Cinta.


Adaptado do artigo Vias Romanas no Território dos "Interannienses", de Manuel Maia, in Beira Interior – História e Património, Guarda, 2000.



Castelo Rodrigo, fotografia Susan Gebbink




Período Medieval

A região ficou marcada de forma notável pela reorganização do território que se deu na Baixa Idade Média. Os vizinhos reinos ibéricos disputavam este troço fronteiriço organizando o povoamento, criando vilas muralhadas cabeças de concelho.


Até ao Tratado de Alcanices em 1297, o rio Coa marcava a fronteira. Assim, entre o Côa e o Águeda, individualizou-se uma região particular, cuja reorganização e repovoamento medievais foram originalmente realizados pelos reis de Leão: o Riba Côa. Do lado português, o início do repovoamento régio, que era afinal o enquadramento das comunidades pré-existentes por poderes externos, arranca na década de 1160.

Progredindo para leste, conhece um momento culminante no final da década de 1190, com o foral da Guarda, e atinge plenamente a linha do Côa com os termos das vilas de Pinhel, Castelo Mendo, Touro e Sortelha, repovoadas já só ao longo do primeiro quartel do século seguinte. Do lado leonês, o ritmo do repovoamento sob a égide do rei de Leão foi paralelo, mas o movimento de sentido oposto, progredindo para poente.

Na década de 1160 iniciava-se o repovoamento de Ciudad Rodrigo, antes uma aldeia periférica do termo de Salamanca, mas as vilas do Riba Côa, como Castelo Rodrigo, Castelo Melhor e outras, surgirão apenas no início do novo século. Esta evolução foi uma resposta ao crescente poder português em zonas que até então tinham estado fora do controlo de um poder central, e à necessidade de gerar um espaço político próprio e bem definido num contexto de intensa rivalidade entre os reinos cristãos. As Batalhas de Argañán (1179) e Ervas Tenras (1199) permitiram a expansão da autoridade de Leão, que definiu a integração das comunidades através dos foros, acordos que garantiam uma margem de manobra às comunidades, convertidas em concelhos, em troca da aceitação do poder régio.


Castelo Melhor
Castelo Melhor, fotografia de João Cosme

A fronteira foi, nos últimos séculos medievais, cenário de um crescente controlo por parte dos reis de ambos os lados, especialmente das actividades comerciais, com a formação de portos secos e alfândegas. As contendas entre Portugal e Castela fizeram-se igualmente sentir, mas mantinham-se relações entre os concelhos fronteiriços. Com o fim da Idade Média, a fronteira começou a deixar de ser entendida como uma região e um conjunto de comunidades periféricas. Era agora, e cada vez mais, uma linha bem definida e cartografada, sobre a qual se abriam determinadas "Entradas Geográficas", as rotas que permitiam o acesso à capital do Reino. A localização dos principais conflitos militares do final da Idade Média deixa já claramente perceber um padrão, que as guerras dos séculos XVII, XVIII e primeira década do XIX (iniciando-se na Guerra da Restauração, passando pela Guerra da Sucessão e culminando nas Invasões Francesas), instalariam definitivamente. O interesse e o investimento do poder régio sobre a organização do território nas terras de fronteira vão concentrar-se sobre aquelas "Entradas Geográficas" onde algumas das antigas vilas se transformarão em imensos quartéis militares, de que Almeida e Ciudad Rodrigo são exemplo.

Adaptado de "Coa e Siega Verde. A Arte da Luz".


PATRIMÓNIO EDIFICADO
Ponte de Sequeiros
pontesequeiros
Ponte de Sequeiros, fotografia de João Cosme

Na época medieval, em que o rio Côa marcava a fronteira entre os Reinos de Portugal e Leão, a travessia do rio era vigiada e protegida por castelos e pontes fortificadas, como a Ponte de Sequeiros.

Construída em granito, esta ponte de estilo românico assenta em três arcos de volta perfeita, sendo o arco central de diâmetro maior. Os pilares são reforçados com talha-mares, estruturas angulares que ajudavam a suportar a força da corrente. A torre, construída numa das extremidades, é característica das pontes fortificadas e servia provavelmente de posto militar de controlo fronteiriço até à assinatura do Tratado de Alcañices, em 1297, altura em que as terras de Riba-Côa foram integradas no reino de Portugal.

A Ponte de Sequeiros foi classificada como Imóvel de Interesse Público em 06/11/1951 e atualmente tem uso exclusivamente pedonal.




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