Património Natural

A grande variedade em termos de habitats naturais e não naturais, resultantes da milenar intervenção humana no território, possibilitam a existência de um mosaico florístico característico, que alberga inúmeras espécies animais.

A Grande Rota do Vale do Côa atravessa duas áreas Rede Natura 2000, a Zona de Protecção Especial (ZPE) para Aves do Vale do Côa e a Sítio de Importância Comunitária (SIC) da Serra da Malcata. A norte, já perto da sua foz, o vale escarpado apresenta grandes afloramentos rochosos ideais para aves rupícolas, sendo classificado como Important Bird Area, pela BirdLife International.

Estes estatutos revelam o potencial da região para a observação de aves, onde é possível encontrar mais de 130 espécies, salientando-se as pequenas aves florestais e agrícolas, como a felosa-do-mato (Sylvia undata), o dom-fafe (Pyrrhula pyrrhula) ou o papa-figos (Oriolus oriolus); as aves aquáticas, como o mergulhão-de-crista (Podiceps cristatus); e as mais emblemáticas rapinas, como a águia de Bonelli (Aquila fasciata), a águia-real (Aquila chrysaetos), o britango (Neophron percnopterus) e o abutre-negro (Aegypius monachus).

avescoa                                                        Britango, águia de Bonelli, verdilhão e dom-fafe, fotografias de João Cosme

Reserva Natural da Serra da Malcata alberga cerca de 218 espécies de vertebrados, sendo o principal enfoque o lince-ibérico (Lynx pardinus), espécie que serviu de base para a criação da Reserva e para a criação da estratégia de conservação em curso, que pretende recuperar e proteger o habitat, aumentar o número de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), sua presa, e assim criar as condições para o regresso desta espécie ameaçada.

lince                                                                                                       Lince-ibérico, fotografia cedida pelo ICNF

Já na Reserva da Faia Brava os inúmeros estudos referem a existência de 151 espécies de vertebrados, 40 espécies de aranhas e 130 espécies de insectos. Como medida de conservação foram recentemente reintroduzidas duas espécies - cavalos de raça garrana e vacas de raça maronesa, que habitam a Reserva em estado semi-silvestre, desempenhando a sua função de grandes herbívoros na gestão do coberto vegetal, uma vez que o progressivo abandono reflecte-se no desenvolvimento de extensos matos baixos, combustível orgânico em incêndios.

Mamíferos e pequenos carnívoros como a lontra (Lutra lutra), a raposa (Vulpes vulpes), a fuinha (Martes foina) ou a gineta (Genetta genetta) são comuns em ambas as áreas protegidas, sendo principalmente encontradas em zonas de cobertura vegetal densa. De referir o gato-bravo (Felis silvestres), uma espécie esquiva que tem sido avistada em câmaras de armadilhagem fotográfica, na Reserva da Faia Brava, existindo também indícios da sua presença na Serra da Malcata.

mamiferos                             Lontra, gineta, cobra d'agua-viperina e salamandra-de-pintas-amarelas, fotografias de João Cosme e de Fernando Romão (gineta).

Devido à rede de ribeiras e afluentes do rio Côa, existem em abundância anfíbios e répteis, como a salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra), a cobra d'água viperina (Natrix maura) e o cágado (Mauremys leprosa).

FLORA DO VALE CÔA
Nas ladeiras ribeirinhas predominam as culturas mediterrânicas, como a vinha, o olival e o amendoal, comumente complementadas com a pastorícia de ovelhas e cabras. A actividade humana e a intensa utilização para o sector primário durante séculos teve um forte impacto na paisagem e no coberto vegetal existente no vale do Côa. Longas décadas de uso intensivo do solo, utilização do fogo para abertura de pastos e desflorestação de matos para a cultura de cerais, propiciaram a criação de uma vegetação rasteira e arbustiva, mas comprometeram a floresta autóctone.

Predominam os matos baixos de giesta branca (Cytisus multiflorus), piorno-amarelo (Retama spherocarpa), esteva (Cistus ladanifer) e zonas de silvado, com rosa-canina (Rosa canina) e amora-silvestre (Rubus sp.). Especialmente na Reserva Natural da Serra da Malcata, surgem manchas de urze e matos altos constituídos por carvalho-negral (Quercus pyrenaica), medronheiro (Arbutus unedo) e azinheira (Quercus rotundifolia).

A Reserva da Faia Brava integra a Zona de Intervenção Florestal de Algodres e Vale de Afonsinho, formando a maior mancha de montado do distrito da Guarda de sobro e azinho (Quercus suber e Quercus rotundifolia, respectivamente) que inclui ainda a presença de carvalho-português (Quercus faginea). Encontram-se grandes extensões de rosmaninho (Lavandula stoechas) e pequenos apontamentos de tomilho bela-luz (Thymus mastichina) e perpétua-das-areias (Helichrysum stoechas).

No fundo do Vale do rio Côa destacam-se espécies como o zelha (Acer monspessulanum), o zimbro (Juniperus oxicedrus) e o espinheiro (Prunos spinosa), e em linhas ripícolas multiplicam-se os freixos (Fraxinus angustifolia), lódãos (Celtis australis) e choupos (Popullus sp.). De salientar também a existência do tamujo (securinegra tintoria) na Reserva da Faia Brava, uma espécie rara que se estende ao longo das margens do Côa.

flora                                                         Rosmaninho, zimbro, choupo, cornalheira e tamujo. Fotografias de Alice Gama



sobreiro

VISITE

Descubra, na Reserva da Faia Brava, o Sobreiro de Vinhal de Serrão, uma árvore com mais de 500 anos, classificada de interesse público, protegida por lei (aviso nº 3/2010 de 2010/03/19), nos termos do art.1º, do DL 28/468 de 1938/02/15, e do disposto no art.º 14, do DL 159/2008 de 8 de Agosto).



Baseada em informação retirada de www.icnf.pt, Associação Transumância e Natureza e livro Atlas da Fauna do Vale do Côa.





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