Património Rural

rural2
Fotografias de João Cosme

A rede contemporânea de aldeias e vilas tem a sua origem na Baixa Idade Média, o tempo em que se organizam os reinos peninsulares. Desde então, tecem-se no território modos únicos de construir, de modelar a paisagem, de a nomear, de pastorear rebanhos e lavrar os campos. Este singular viver com o rio sobressai na paisagem, pelas inúmeras ruínas deixadas - noras, moinhos, poldras e travessias - que relembram os seus usos, outrora essenciais à vida nas terras de RibaCôa. As principais culturas mantêm-se - as oliveiras, as amendoeiras e as vinhas, bem como algum pastoreio de ovelhas e cabras. Também a cultura bovina se mantém, com grandes áreas de gado em regime extensivo, e festas importantes como a capeia arraiana e o seu tradicional forcão.

Nas aldeias, permanecem as memórias, narradas na primeira pessoa, que podem ser ouvidas no banco da praça ou à porta da igreja. Os sabores e a gastronomia passa de boca em boca pelas gerações, e as tradições são celebradas nas muitas festas e romarias que alegram o vale do Côa.


USOS DO CÔA - MOINHOS

moinhoengenho2
Moinho do Engenho, Sabugal, Fotografia de João Cosme

As águas do Côa refrescam e são capazes de mover engenhos que realizam trabalho mecânico. O impulso da água desencadeia o movimento das pás, dos eixos, das turbinas...

Situado a sul da aldeia de Vale de Espinho, do complexo conhecido por “Moinho do Engenho”, fazem parte um moinho e uma fábrica. Era com muita arte que este “engenho”, apelando à valentia das águas, fazia girar as turbinas e a fábrica funcionar.


A eletricidade assim gerada servia não só para produção das mantas, mas também como fonte de energia para outros fins. Foi aqui que, pela primeira vez, se produziu eletricidade na região, e que era suficiente para servir Vale de Espinho e outras localidades, designadamente a cidade da Guarda e Naves Frias em Espanha.

moinho
Conhecem-se doze moinhos em Vale de Espinho e dois deles encontram-se operacionais.

No Outono, cada pedaço de terra disponível era semeado com trigo ou centeio. No Verão, dormia-se no campo, em cabanas de palha e a ceifa ocupava toda a família, dia e noite. Depois, Verão ou Inverno, mulas e bois desciam e subiam a encosta, carregando sacos ora de cereal, ora de "pão" (farinha). No fundo do vale, moinho e moleiro prosseguiam incansáveis o seu trabalho de transformar o cereal, sendo o seu serviço pago também em cereal, a chamada "maquia".

Em cada aldeia, à mesa de cada casa nunca faltaria o pão, alimento base da dieta da população durante séculos.

Etapas 1 e 2 a pé | Etapa 1 BTT


Moinho do Zé Ricado, fotografia de João Cosme




NORAS

nora1


As noras, utilizadas para tirar a água de poços, foram introduzidas na Península Ibérica pelos muçulmanos, sendo a palavra também de origem árabe "na'ûra".

Bois ou burros caminhavam à volta do engenho, fazendo girar o eixo vertical, que passava o movimento a um conjunto de vasos de metal. Num movimento sucessivamente descendente e ascendente, os vasos transportavam a água do fundo do poço até à superfície. Ao inclinar-se para retomar o movimento descendente, o vaso liberta a água num tabuleiro que a conduz ao destino: outro poço, uma horta ou uma pia para dar de beber ao gado.


Etapas 1, 2 e 3 a pé | Etapa 1 BTT

Nora em Vilar Maior, fotografia de Júlio Marques







FAUNA - CURRAL DE LOBOS
curraldelobos
Fojo da Cabrita, Eduardo Realinho


curraldelobos2À sombra da árvore, o pastor vigia o rebanho que percorre a encosta. À noite recolhem à povoação para se esconderem do perigo que espreita no monte. Nestas terras, desde tempos sem memória que o Homem partilha o seu domínio com o lobo. Quando as presas naturais rareiam (corço, javali), o lobo alimenta-se também de algum gado doméstico mais desprotegido.

Antes do uso generalizado de armas de fogo, as comunidades construíam armadilhas em pedra, os fojos. O lobo era atraído para o seu interior através da utilização de um isco vivo, um cabrito ou borrego. Uma vez lá dentro, o lobo via-se preso, sendo depois abatido. Situado entre Mangide e Vale de Madeira, este chama-se Curral de Lobos ou Fojo da Cabrita.

Hoje, o lobo é uma espécie protegida, devido ao reduzido efectivo das suas populações, sendo a sua perseguição e abate ilegais.


Etapa 6 Oeste a pé | Etapa 2 Oeste BTT


Fojo da Cabrita, Eduardo Realinho



ALIMENTAÇÃO - FORNO DA MALCATA


fornoMuseuComunitarioO forno comunitário, onde todos coziam o pão, permitia e fomentava o encontro, a partilha e a cooperação e, não raras vezes, o conforto do corpo e da alma para os mais necessitados. O seu calor, os aromas e a sua relação com a saciedade proporcionavam o bem-estar, que se arrastava enquanto as brasas o permitiam.

Frequentes noutros tempos - cada aldeia possuía pelo menos um - escassos na actualidade, as acções de preservação do património têm permitido a sua recuperação. Em situações particulares é-lhes atribuída uma função pedagógica. É o caso do forno da Malcata, transformado em espaço museológico.

Geralmente de arquitectura circular e em forma de cúpula, construído com tijolo-burro, o forno era encimado com uma camada de terra barrenta que preservava o calor. A parede exterior era revestida com a pedra de maior abundância.

Etapa 2 a pé | Etapa 1 BTT

Forno da Malcata, fotografia de João Cosme







gravuras historiacoa castelosabugal poupa rural1
Património Pré-Histórico Património Histórico Castelos Património Natural Património Rural
Nome *

Erro, introduza o seu nome!
Email *

Erro, introduza o seu endereço de email!

Estou interessado em (selecione uma ou mais categorias):
Erro, seleccione uma ou mais áreas de interesse!
Apelido *

Erro, introduza o seu apelido!
País *

Invalid Input
Data de Nascimento *

Erro, indique a sua data de nascimento!